• André Coletta

ODS 3: Uma análise sobre a situação atual e quais os caminhos para o futuro

Saiba mais sobre a situação do Brasil e do mundo no alcance do ODS 3 da ONU: saúde e bem estar.



Alguns Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU tiveram maior destaque em 2020 e 2021 por se relacionarem a acontecimentos que marcaram esses anos. Esse é o caso do ODS 3: saúde e bem-estar, que está diretamente relacionado à pandemia de COVID-19 e sua consequente crise sanitária, que afetaram todo o mundo, principalmente os países em desenvolvimento.


O principal objetivo do ODS 3 é garantir vidas saudáveis e promover o bem-estar para todas as pessoas de todas as idades. Para isso, esse ODS possui submetas que dizem respeito ao atingimento de cobertura universal de saúde, acesso universal aos serviços de saúde sexual e reprodutiva, redução de mortes prematuras, tratamento de vícios e investimentos no desenvolvimento da infraestrutura e do pessoal da área da saúde.


A saúde e o bem-estar da população são essenciais para o desenvolvimento sustentável, pois além de trazerem benefícios individuais, estão diretamente relacionados a desigualdades sociais e econômicas, urbanização, mudanças climáticas, falta de saneamento básico e tratamento de novas doenças, como o COVID-19.


Como pudemos observar durante a pandemia, a falta de preparo dos governos para mitigar riscos como esse tornaram a situação muito pior, um problema pelo qual a população pagou caro. Conforme mostra a Organização das Nações Unidas (ONU), em seu relatório de 2021 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a pandemia foi desastrosa para a Agenda 2030, escancarando regressos e pontos de melhoria na área da saúde para os países. Entre eles podemos citar: estagnação e reversão de avanços com relação a aumentos na expectativa de vida; redução de progressos realizados na última década em saúde reprodutiva, saúde materna e saúde infantil; falta de informação; e sobrecarregamento dos funcionários da saúde.


O que significa ter saúde e bem-estar?


Essa é uma pergunta que pode parecer trivial em um primeiro momento, porém como mostra Conner et al. (2018) em um estudo realizado nos EUA, a maioria das pessoas possui uma visão simplista de saúde, definindo-a como a ausência de doenças. Porém, outros fatores precisam ser considerados.


A Organização Mundial da Saúde (OMS) define, em sua constituição de 1948, a saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não somente a ausência de doenças e enfermidades”. E hoje, mais do que nunca, discussões a respeito de bem-estar mental e social estão entrando na pauta de discussões sobre saúde, diversidade e inclusão. Essa definição vem acompanhada de outros princípios que, de acordo com a OMS, são cruciais para a felicidade, para relações harmoniosas e segurança de todas as pessoas:


  • Desfrutar do mais alto padrão de saúde possível é um dos direitos fundamentais de qualquer ser humano

  • A saúde de todas as pessoas é fundamental para a obtenção da paz e segurança, e é dependente da completa cooperação entre indivíduos e Estados

  • A conquista de qualquer Estado na promoção e proteção da saúde é benéfico para todos

  • O desenvolvimento desigual entre países na promoção da saúde e no controle de doenças, especialmente doenças transmissíveis, representam riscos coletivos

  • O desenvolvimento saudável de crianças é fundamental; a habilidade de viver em harmonia com um ambiente em mudança é essencial para tal

  • O conhecimento sobre os benefícios das áreas da medicina, psicologia e afins são essenciais para a obtenção da saúde e devem ser compartilhadas com todas as pessoas. Opiniões informadas e a ativa cooperação com o público são fatores cruciais para a melhoria da saúde pública.

  • Governos são responsáveis pela saúde de seu povo, que só pode ser garantida através da provisão de medidas sociais e de saúde adequadas.


Por fim, podemos adotar a explicação da 8ª conferência nacional de saúde (1986) como um exemplo mais completo, pois demonstra a importância e a relação da saúde com demais fatores relacionados ao desenvolvimento sustentável, estando em harmonia com os demais ODS: “em seu sentido mais abrangente, a saúde é a resultante das condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio-ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso a serviços de saúde. É, assim, antes de tudo, o resultado das formas de organização social da produção, as quais podem gerar grandes desigualdades nos níveis de vida.”


Ainda, é definido que o pleno exercício da saúde implica na garantia de:

  • trabalho em condições dignas, com amplo conhecimento e controle dos trabalhadores sobre o processo e ambiente de trabalho;

  • alimentação para todos, segundo as suas necessidades;

  • moradia higiênica e digna;

  • educação e informação plenas;

  • qualidade adequada do meio-ambiente;

  • transporte seguro e acessível;

  • repouso, lazer e segurança;

  • participação da população na organização, gestão e controle dos serviços e ações de saúde;

  • direito à liberdade, à livre organização e expressão;

  • acesso universal e igualitário aos serviços setoriais em todos os níveis


Metas da ONU



Exemplos de empresas que apoiam o ODS 3


Entre diversas empresas que estão ajudando a atingir o ODS de Saúde e Bem-estar, citaremos 3:

  • Reckitt: multinacional britânica que fabrica produtos de saúde e limpeza. Algumas de suas marcas são muito famosas, como o SBP, Vanish e Raid. Em 2020, a empresa se uniu ao programa UNAIDS, criado pela ONU em 1996 para ajudar países no combate à AIDS. Com a parceria, a Reckitt entregou cestas para duração de até 3 meses de itens básicos de limpeza, como sabonetes antibacterianos e água sanitária. A ação é voltada para pessoas com AIDS que vivem na África. Ao todo, 220 mil pessoas de 22 países africanos diferentes foram impactados pela ação.

  • Avanti: empresa britânica que trabalha com a transmissão de dados via satélite. Ela auxilia um hospital na cidade de Kingandu, que fica a 2 dias de viagem de carro da capital da República Democrática do Congo, Kinshasa. Esse hospital é responsável por atender as demandas mais críticas de outros 18 hospitais rurais da área, totalizando mais de 120 mil pessoas. A contribuição da Avanti vem de sua rede de satélites, que agora permite que esse hospital operacionalize a telemedicina, permitindo os diagnósticos em tempo real de doenças de saúde materna e de imagens de ultrassom.

  • GlaxoSmithKline (GSK): farmacêutica multinacional britânica, responsável pela fabricação de produtos para cuidado próprio, medicamentos sujeitos à prescrição médica e vacinas. A empresa é uma das únicas no mundo a fomentar recursos para o desenvolvimento de vacinas para doenças contempladas na agenda 2030 - tuberculose, malária e HIV.

Existem muitos outros exemplos de empresas que estão engajadas no atingimento do ODS 3 que podem servir como exemplo para a sua organização. Se tiver interesse em saber mais, acesse o portal Business for 2030, criado com apoio do Conselho dos Estados Unidos para Negócios Internacionais (USCIB), que tem como objetivo compartilhar ações atuais e passadas de empresas que contribuem para a Agenda 2030.



Exemplos de países com um bom desempenho e o caso brasileiro


Para analisarmos a qualidade dos sistemas públicos de saúde, precisamos entender a que eles se referem. Segundo a OMS, eles podem ser definidos como “a arte e ciência da prevenção de doenças, prolongando a vida e promovendo a saúde através de esforços organizados da sociedade”. Isso envolve o desenvolvimento e implementação de medidas que dão as condições básicas necessárias para os indivíduos de uma sociedade se manterem saudáveis e melhorarem ou prevenirem a deterioração de sua saúde e bem-estar. Sendo assim, o sistema de saúde pública foca no sentido mais amplo da definição de saúde e não somente na erradicação de determinadas doenças.

Adicionalmente, a Academia Nacional de Medicina dos Estados Unidos, antigo Instituto de Medicina, define seis áreas específicas que podem ajudar a definir a qualidade dos serviços de um instituto ou organização de saúde, e ultimamente devem ser prioridade para a definição de estratégias a fim de melhorar o sistema como um todo:


  1. Seguro: evitar lesões e outras complicações decorrentes do tratamento dos pacientes

  2. Efetivo: prover serviços e tratamentos com base em conhecimento científico, somente para pacientes que podem se beneficiar de determinado tratamento - evitando portanto, o uso excessivo ou deficiente de medicamentos

  3. Focado no paciente: o cuidado deve respeitar e ser adequado às preferências, necessidades e valores do paciente, que devem determinar todas as decisões clínicas

  4. Conveniência: reduzir os tempos de espera e atrasos, tanto para pacientes quanto para profissionais da saúde

  5. Eficiente: evitar desperdício, incluindo equipamentos, insumos, ideias e energia

  6. Equitativo: a qualidade do serviço médico prestado não pode variar em relação a características pessoais do paciente, como gênero, etnia, onde vive ou sua renda


Todavia, são poucos os dados secundários disponíveis a respeito dessas variáveis. Mas existem outras que também podem ser utilizadas a fim de avaliarmos a efetividade do sistema de saúde de um país. Uma lista com uma grande quantidade de dados a respeito dos sistemas de saúde ao redor do mundo pode ser acessada no site da OMS.


Iremos examinar 5 variáveis que podem nos ajudar a entender, de forma geral, a situação do sistema de saúde de um determinado país, inclusive no Brasil. Primeiro, olharemos para os anos de vida perdidos por um indivíduo devido a doenças e outras comorbidades, em seguida a expectativa de vida da população, a quantidade de médices e enfermeires, e finalmente os gastos públicos com saúde como porcentagem do PIB.



Expectativa de vida


A expectativa de vida é uma variável fundamental na análise do desenvolvimento da saúde de uma população, pois nos diz qual a idade média das pessoas no momento de sua morte.


Séculos atrás, antes da Revolução Industrial, a expectativa de vida mundial girava em torno dos 30 anos. Hoje, muitos países desenvolvidos possuem uma expectativa de vida superior aos 80 anos, como é o caso do Japão, que em 2019 estava próxima dos 85 anos, assim como a média dos países membros da OCDE, que é de quase 82 anos. A expectativa de vida global atual é de mais de 60 anos, ou seja, essa variável mais do que dobrou em questão de 2 séculos, para pessoas de todas as idades.


A combinação entre inovações, como foi o caso das vacinas e dos antibióticos, notavelmente a penicilina, com investimentos públicos em saúde, foi crucial para alcançarmos esse grande progresso.



Ao olharmos para a evolução da expectativa de vida nos últimos 19 anos, é perceptível o aumento tanto da média mundial, quanto dos países membros da OCDE, dos países da América Latina & Caribe, dos EUA e do Brasil (os quais chamaremos de grupos daqui para frente). A média mundial aumentou em aproximadamente 6 anos (9,5%) e a média brasileira aumentou em 5,7 anos (8,2%). Esses crescimentos foram notavelmente superiores aos dos demais grupos analisados.

  • Mundo: crescimento de 6,3 anos (9,5%)

  • Brasil: crescimento de 5,7 anos (8,22%)

  • América Latina & Caribe: crescimento de 3,9 anos (5,57%)

  • OCDE: crescimento de 3,7 anos (4,76%)

  • EUA: crescimento de 2 anos (2,67%)

É possível perceber que os grupos com menor expectativa de vida tiveram os maiores crescimentos no período analisado, enquanto que os países desenvolvidos, que no início do período possuíam os maiores valores para a variável analisada, cresceram pouco e até mesmo estagnaram nos últimos 5 anos. Isso é um indicativo de que ultrapassar esse “limite” na casa dos 80 anos é um grande desafio, que pode ser explicado pelo nível das soluções tecnológicas na área da medicina que possuímos hoje.



Dias perdidos por doenças ou comorbidades


Analisar dados relacionados à mortalidade das pessoas - como a expectativa de vida, mortalidade infantil e maternal - é uma forma direta e efetiva de se avaliar a saúde de uma população. Porém, essas variáveis não nos permitem enxergar o impacto de doenças e outros tipos de morbidades que um indivíduo pode ter.

Para isso foi desenvolvida uma métrica, a DALY (Disability Adjusted Life Years), que mostra a diferença entre a expectativa de vida de uma pessoa e a quantidade de anos que ela efetivamente viveu. De forma geral, essa diferença é explicada pelo porte de alguma doença pelo indivíduo. 1 DALY é igual a um ano de vida perdido, devido a uma morte prematura, uma doença ou alguma deficiência.


Segundo dados divulgados pelo portal Our World in Data, aproximadamente 55 milhões de pessoas morreram em 2017, sendo que durante esse período, a soma dos anos perdidos por mortes prematuras, doenças e deficiências foi de mais de 2 bilhões de anos. Ainda, mostram que países como o Canadá, Israel e Coréia do Sul possuem taxas de 20 mil DALYs por 100 mil indivíduos - ou seja, são 20 mil anos perdidos a cada 100 mil habitantes. Enquanto que a região da África Subsaariana, que contém 47 países, possuem uma taxa superior a 80 mil DALYs por 100 mil habitantes.



Olhando para o período de 1990 até 2017, vemos uma redução expressiva nessa variável em todos os grupos. Aqui, novamente, países que começaram numa situação pior são os mesmo que apresentam melhorias mais expressivas. E diferentemente da expectativa de vida, os EUA tiveram um aumento nessa taxa nos últimos cinco anos, divergindo do padrão dos países membros da OCDE. Nesse caso, o Brasil teve o melhor desempenho entre os grupos estudados, apresentando uma queda de 35,4% na taxa, contra 32,5% do segundo melhor grupo (média mundial).

  • Brasil: queda de 35,4%

  • Mundo: queda de 32,5%

  • América Latina & Caribe: queda de 31,6%

  • OCDE: queda de 21,7%

  • EUA: queda de 12,1%



Número de médicos/as e enfermeires por habitante


Voltando nosso olhar para a estrutura da área da saúde, podemos analisar a quantidade de médicos e de leitos por mil habitantes. A tendência dos grupos estudados para a primeira variável é positiva, com exceção dos EUA que de 2000 até 2013 estagnou. Esse é o mesmo período no qual o Brasil, que mais uma vez teve o maior avanço geral, mostrou o maior crescimento, de 64% contra 5% de 1990 até 2000. O mesmo pode ser dito em relação à quantidade de enfermeires e parteires.




Já em relação à quantidade de leitos por mil habitantes, apesar de algumas variações nos países membros da OCDE, de forma geral entre os grupos estudados, essa variável não apresentou grandes diferenças no período entre 2009 e 2013. O pequeno intervalo de anos pode explicar esse fato. Mas se olharmos especificamente para o Brasil, de 2002 a 2014, vemos uma acentuada queda de 15%, que pode ser explicada pela deterioração da infraestrutura médica junto com um aumento da população.





Gastos públicos com saúde (% PIB)


Finalmente, uma das variáveis mais utilizadas, tanto para estudo quanto para debate, é a quantidade de gastos públicos com a saúde. Olhando para o gráfico abaixo, e para o anterior de expectativa de vida, podemos perceber uma correlação positiva entre as duas variáveis. Ou seja, aumentos no investimento na área da saúde aparentemente estão em linha com aumentos na expectativa de vida.


Um detalhe muito importante a se notar é que a lei dos rendimentos decrescentes está presente nessa análise, isto é, o ganho marginal na expectativa de vida de um dado aumento na quantidade de gastos públicos passa a diminuir depois de certo ponto. Vamos olhar para os EUA e o Brasil como exemplo: o primeiro é mais desenvolvido que o segundo, e o mesmo pode ser dito com relação à infraestrutura de seu sistema de saúde, conforme dados mostrados anteriormente. De 2000 a 2018 o país norte americano aumentou seus investimentos em 53,6% e teve um crescimento na expectativa de vida da população de 2,65%. Já o Brasil, nesse período, aumentou seus investimentos em 14,3% e teve um crescimento na expectativa de vida da população de 7,92%. Ou seja, os EUA tiveram um esforço muito maior no que diz respeito a gastos públicos e obteve um retorno menor que o caso brasileiro. A mesma relação é verdadeira se compararmos a expectativa de vida com a renda per capita de cada população.


A curva de Preston mostra como essas variáveis se comportam:





A partir de certo ponto de renda per capita, não existem mais grandes variações na expectativa de vida da população e a diferença entre renda e expectativa de vida é maior para os países mais pobres. Mas o mais importante é que, ao longo do tempo, a curva de Preston se desloca para cima, um movimento que mostra que a expectativa de vida global está aumentando e esse movimento não se deve somente à elevação de renda (caso contrário não haveria o deslocamento da curva). Logo existem outros fatores de fundamental importância para trazer avanços na saúde da população.


De qualquer forma, pela análise dos dados, podemos concluir que relativamente ao PIB, o Brasil gasta pouco comparativamente aos demais grupos analisados, mesmo em relação à América Latina. Ainda assim, é notável que com pouco investimento conseguimos gerar grandes progressos na expectativa de vida e no número de anos perdidos por doenças e outras complicações médicas. Só não podemos nos esquecer que daqui para frente, os retornos de uma elevação nos investimentos na área da saúde serão cada vez menores se nossas inovações e soluções do setor continuarem as mesmas, o que apresenta um grande desafio não só para o Brasil como para todo o mundo.



O que fazer para melhorar a saúde pública?


Apesar de não ser o melhor país no assunto, como vimos ao longo do estudo, o Brasil é um exemplo pelos grandes avanços alcançados nos últimos 20 anos e possui uma estrutura de saúde pública que, apesar de não ser perfeita, se mobiliza para atender toda a população e para atingir as metas dos ODS, com grande destaque para o Sistema Único de Saúde (SUS), criado pela Constituição Federal brasileira de 1988. Esse sistema deve oferecer atendimento a todos os indivíduos que o procurarem, independente da severidade de seu caso, uma política bastante distinta da maioria dos países, o que força o Brasil a elevar sua quantidade de gastos. Ele ainda é responsável pelo planejamento de estratégias para o combate e tratamento de doenças como AIDS, tuberculose, febre amarela, cólera, entre outras. Segundo o portal brasileiro Estratégia ODS, outras medidas são colocadas em prática para o atingimento do ODS 3. Um exemplo é a Rede Cegonha, que busca assegurar às mulheres o direito ao planejamento reprodutivo e atenção humanizada durante o processo de gravidez, do parto e da criação dos bebê, buscando, dessa forma, reduzir a taxa de mortalidade materna. Outro exemplo é o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas, que provê atendimento diário, intensivo, semi-intensivo e não intensivo para pessoas que sofrem com vícios e são prejudicadas pelo consumo dessas substâncias.


De qualquer forma, muito ainda precisa ser desenvolvido numa janela curta de tempo para conseguirmos atingir os ODS, e a literatura e exemplos de outros países podem nos ajudar a traçar as estratégias para percorrermos esse caminho. Olhando somente para o Brasil, ações imediatas que podem ser tomadas dizem respeito à falta de investimento público e melhora na gestão dos recursos atuais - uma tarefa pouco simples em nosso país.


Adicionalmente, é preciso mudar o foco dado nos cuidados aos pacientes, que hoje é voltado para o tratamento de doenças, mas que poderia transitar para sua prevenção. Da forma atual, somada ao envelhecimento e crescimento da população, junto com os prováveis impactos das mudanças climáticas, cada vez mais pessoas vão depender do sistema de saúde e a conta a se pagar será extremamente elevada, podendo ocasionar resultados tão graves como os observados com a crise da COVID-19, que mostraram que nós não estávamos preparados para crises sanitárias. Ao focarmos na prevenção, poderíamos reduzir os hábitos populacionais que levam ao desenvolvimento de doenças. Um exemplo claro disso são os desequilíbrios nutricionais que, quando ocorrem, levam ao desenvolvimento de outras doenças crônicas e fatais, como o diabetes e a pressão alta - 55,4% da população brasileira possui excesso de peso e 19,8% é obesa.


Os países também devem dedicar seus esforços na expansão do conhecimento científico e na criação de inovações, sejam tecnológicas ou de procedimentos. Como já citamos, esse foi o caso do desenvolvimento de vacinas e de antibióticos, que fizeram a expectativa de vida da população saltar à medida em que passamos a conseguir combater doenças fatais para o ser humano. Esse fator, inclusive, é o responsável por fazer com que a curva de Preston se desloque para cima, sendo capaz de solucionar problemas não só de uma nação, mas da humanidade como um todo. De um ponto de vista individual, também podemos mudar a percepção das pessoas a respeito do que é saúde e das implicações de sermos saudáveis. Uma pesquisa elaborada por Yang et al. publicada no Proceeding of the National Academy of Sciences of the United States of America (PNAS), mostra que as pessoas consideram que possuir hábitos saudáveis podem levar ao isolamento social, o que as faz, muitas vezes, agir de forma não saudável. Além disso, o estudo indica que o oposto também é verdadeiro, ou seja, que quando as pessoas acreditam que ser saudável leva a socialização, passam a ter hábitos mais saudáveis. Um fato é que esse processo de obter um estilo de vida mais saudável é muito difícil, pois pode envolver sair de uma determinada rotina - algo que biologicamente não gostamos - porém, ao dividir esse “fardo” com amigos ou familiares, a experiência se torna muito mais agradável.



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