• Vania Lech

O presente e o futuro da biodiversidade

Entenda mais sobre o que é biodiversidade e qual é sua situação hoje, no Brasil e no mundo.




A biodiversidade do planeta Terra


O planeta Terra é lar de 8,7 milhões de espécies, animais, vegetais e microrganismos, além da espécie humana, dentre as quais muitas já foram extintas e outras ainda nem sequer descobertas pela ciência. Essa enorme variedade de seres vivos que habitam nosso planeta, ecossistemas e complexos ecológicos é chamada de biodiversidade, e engloba desde vírus microscópicos até os maiores animais do planeta. É graças a ela que se pode obter alimentos, roupas, medicamentos e energia e, ao mesmo tempo que é a maior riqueza do planeta, ainda é pouco valorizada.


O grupo dos insetos é o maior no grupo de organismos, sendo que o número absoluto de espécies pode ser superior a 5 milhões. Uma amostragem feita na floresta amazônica, demonstra que o número de insetos é tão grande que foram feitas estimativas de diversidade local extrapoladas para incluir todas as florestas tropicais do planeta, observando-se 30 milhões de espécies de insetos. Em contrapartida, não se conhece quase nada das plantas epífitas (espécies que vivem sobre outras plantas maiores utilizando-as apenas como suporte), líquens, fungos, ácaros, protozoários e bactérias que habitam os topos das árvores. Outros habitats ainda pouco conhecidos são os recifes de coral, o assoalho do fundo do mar e o solo das florestas tropicais e das savanas. Podemos, desta forma, concluir que a estimativa do número total de espécies vivendo no planeta Terra que temos hoje não reflete a realidade, sendo necessário ainda muito estudo para se chegar a um número aproximado.



Perdas na biodiversidade


Embora os seres humanos tenham aparecido recentemente na escala de tempo evolutivo da Terra, já ocupam praticamente todos os ambientes terrestres. Nas últimas décadas, essa maior presença dos humanos provocou uma intensa ação sobre a natureza, ocasionando aceleradas remoção e degradação ambientais, que se traduzem, entre outras consequências, em perda de biodiversidade.


Nos últimos 500 anos, 844 espécies foram consideradas extintas pela IUCN (International Union for Conservation of Nature). A extinção é um fenômeno natural e irreversível, mas tem acontecido em uma escala sem precedentes por consequência da ação humana. A atual taxa de extinção de espécies é, em média, entre cem e mil vezes maior que em níveis pré-humanos e caminha para ser dez mil vezes maior.


Três exemplos de espécies já extintas são:

  • Tigre-do-Cáspio: só perdiam em tamanho para o tigre siberiano e o tigre de bengala. Eles possuíam as maiores garras que qualquer outra espécie de felinos. Foram exterminados na década de 1960 quando a Rússia colonizou a região conhecida à época por Turquestão. O governo russo declarou que não havia lugar para o tigre e ordenou o exército para exterminar todos os que encontrassem.

  • Tubarão-lagarto (1988): encontrado especialmente na América do Sul, o tubarão lagarto foi considerado extinto no Brasil. Eles eram uma espécie pequena de tubarão, medindo cerca de 70 cm. O tráfego naval foi uma das causas de sua extinção, pois modificou as áreas de reprodução desses animais.

  • Sapo Dourado: viviam em Monteverde, na Costa Rica. Os machos eram dourados e as fêmeas, verdes com manchas pretas pelo corpo. Alterações climáticas levaram à perda do habitat natural destes anfíbios. O último sapo desta espécie foi encontrado em 1989.


Previsões de extinção de espécies são de difícil realização devido às inúmeras variáveis envolvidas, mas se olharmos para o futuro, diante do cenário atual de ameaça a biodiversidade pela pressão do ser humano, podemos prever para os próximos 50 anos mudanças que podem ser graduais (alterações de distribuição de espécies em função de mudanças climáticas, como aumento de temperatura) ou bruscas (perda de habitat). De acordo com o estudo Extinction risk from climate change”, elaborado em 2004, estima-se que 15% a 37% de diversas plantas e animais, serão extintos como resultado dos efeitos diretos ou indiretos do aquecimento global previsto para 2050.


Como consequência, a perda de populações locais, como pássaros e abelhas, pode levar a uma redução importante de serviços como polinização e dispersão de sementes, além de provocar um grande desequilíbrio em outras espécies animais por conta das alterações na cadeia alimentar.



A biodiversidade brasileira


O Brasil é o país que tem a maior diversidade biológica do planeta. São mais de 128.000 espécies de animais e mais de 46.000 espécies vegetais conhecidas no país. Isso pode ser explicado pela grandeza do território e pelos vários tipos de clima. O pantanal, a floresta amazônica, o cerrado e a mata atlântica guardam grande parte da biodiversidade brasileira, sendo 20% das espécies, 55% da cobertura vegetal e 15% da água doce do planeta.


Mesmo sendo tão importantes, os biomas brasileiros perderam, entre 2000 e 2018, em números absolutos, 489.877 km² das áreas naturais, o que representa 8,34% do território original. Na Mata Atlântica, por exemplo, a perda dessas áreas diminuiu ao longo desses anos, que saiu de uma perda de 8.793 km² entre 2000 e 2010, para menos 577 km² entre 2016 e 2018. No entanto, a Mata Atlântica, onde há a ocupação mais antiga e intensa, conserva apenas 16,6% de suas áreas naturais, o menor percentual entre os biomas.


Já na Amazônia e no Pantanal, durante o ano de 2020, houve um aumento de 15,7% e 120% nos focos de incêndio, respectivamente, em comparação ao ano de 2019.


Isso mostra a importância da criação de políticas públicas orientadas para a conservação e o uso sustentável dos biomas, já que 60% das espécies ameaçadas de extinção estão em territórios protegidos e aproximadamente 75% das áreas federais de conservação abrigam tais populações. Porém, o desmatamento, que vinha caindo no Brasil, voltou a crescer nos últimos dois anos, principalmente na Amazônia e na Mata Atlântica. Isso significa enorme perda de biodiversidade, com destruição de espécies vegetais e animais, muitas ainda desconhecidas, e um enorme prejuízo econômico e social para o país.



O futuro da biodiversidade


Os riscos dramáticos das mudanças climáticas e da perda da biodiversidade (secas, inundações, desertificação, elevação dos níveis dos oceanos etc) alertaram o mundo quanto aos efeitos nocivos da exploração dos recursos naturais e da emissão dos gases de efeito estufa, abrindo espaço para novos caminhos da sustentabilidade ambiental.


Se reduzirmos nossas ações nocivas ao meio ambiente, poderemos evitar cenários mais pessimistas das previsões científicas?


Até quando nossa espécie viverá neste planeta se continuarmos alterando a natureza da forma como estamos fazendo?


A conscientização do ser humano de que somos um entre os demais seres vivos e, portanto, interdependentes, é vital para que possamos preservar o patrimônio mais precioso que temos no nosso planeta: a biodiversidade da qual fazemos parte.



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