• Marina Torres

O dia mundial dos oceanos: um lembrete para os desafios que nossa geração deve superar

Cobrindo cerca de 70% da superfície terrestre, o oceano é o lar de milhares de espécies e é considerado o verdadeiro pulmão do mundo. No dia 08/06 é comemorado o Dia Mundial dos Oceanos, porém são poucos os motivos para celebração dados os imensos problemas consequentes da ação humana. No texto exploramos parte dos desafios relacionados à preservação dos oceanos e como podemos fazer nossa parte para ajudar.




Emissões de CO2 e os oceanos


Na última terça-feira (08/06) foi comemorado o Dia Mundial dos Oceanos, que cobrem mais de 70% da superfície da Terra, são responsáveis pela regulação da temperatura e abrigam a maior diversidade de espécies do planeta. Além disso e ao contrário do que muitos pensam, eles são considerados os verdadeiros pulmões do mundo, e não as florestas. De acordo com o Instituto Brasileiro de Florestas, as algas marinhas são as produtoras de 54% de todo o oxigênio do mundo.


No entanto, não há muito a ser comemorado. Apesar de amarmos os momentos que passamos na praia ouvindo, admirando e nos refrescando no mar, continuamos tendo atitudes que intensificam a sua degradação. O aumento da presença de CO₂ nos oceanos, por exemplo, leva a uma maior acidificação da água e, consequentemente, à desaceleração do crescimento de espécies como corais, moluscos e estrelas do mar. De acordo com o Relatório Planeta Vivo 2018 da WWF, metade dos recifes de coral já foram afetados e, se nossos hábitos não mudarem, até 90% deles poderão desaparecer até 2050, tornando mais provável a incidência de desastres climáticos e levando à destruição do habitat de cerca de um milhão de espécies marinhas.



O lixo nas praias e oceanos


Contudo, a quantidade de CO₂ não é o único problema, muito pelo contrário. Outra questão muito conhecida é o lixo presente nos oceanos e praias. Segundo o presidente do conselho da Associação MarBrasil, Ariel Scheffer, “dos animais encontrados mortos, 100% das tartarugas verdes e 75% das aves marinhas possuem algum tipo de plástico no estômago”. Mas para aqueles que não se comovem com esse dado, pode ser mais impactante saber que sim, nós também somos afetados. De acordo com um estudo realizado pela WWF, ingerimos cerca de 5 gramas de plástico por semana, o mesmo peso de um cartão de crédito. Essas quantidades chegam ao nosso organismo através da ingestão de microplásticos, partículas de até 5 mm originadas a partir da fragmentação de plásticos maiores, principalmente pelo consumo de água engarrafada, frutos do mar, cerveja e sal.


Além disso, o lixo nas praias pode causar ferimentos e infecções em banhistas, ter impactos relevantes no turismo e também danificar embarcações, problemas que também têm suas consequências econômicas para determinada região.



Nossa experiência com o lixo na praia


Pensando nesse problema, nossa equipe foi ao litoral paulista realizar a recolha de resíduos encontrados nas areias da praia de Juquehy, em São Sebastião. O percurso se iniciou às 9h do dia 03/05, foi feito por duas pessoas e durou 3 horas e 15 minutos, resultando em 6,12kg de lixo removidos.


As quantidades por tipo de resíduo foram:

  • Bitucas de cigarro: 0,18 kg

  • Madeira: 0,2 kg

  • Metal: 0,28 kg

  • Papel: 0,33 kg

  • Plástico: 1,09 kg

  • Não recicláveis: 4,04 kg




Apesar do pouco peso, depois dos não recicláveis, as bitucas de cigarro foram os resíduos encontrados em maior quantidade, seguidas pelo plástico e pelo papel. Nessa última categoria, foi surpreendente encontrar um pedaço de jornal de 26 de abril de 2015, ou seja, de 6 anos atrás.


Por conta da limitação de recursos, a quantidade de resíduos retirada das areias pela Arbor foi muito pequena ao se comparar com o total que havia para ser recolhido. Em apenas um dia de limpeza na praia de Copacabana no Rio de Janeiro, por exemplo, foram recolhidas 351 toneladas de lixo. A operação contou com mais de 1,2 mil agentes da Comlurb e ocorreu na manhã do dia 01 de janeiro de 2020, logo após a festa de fim de ano. Outro exemplo é o caso do estado do Paraná, de onde foram retiradas aproximadamente 480 toneladas de resíduos apenas em janeiro de 2018, o equivalente ao peso de cerca de 11 aviões.



De onde vem todo o lixo encontrado nos oceanos e praias?


De acordo com indicadores internacionais, cerca de 80% do lixo encontrado nos oceanos veio do ambiente terrestre, podendo ter sido deixado por frequentadores das praias, conduzido das cidades por rios e lagos ou até de outros países pelas correntes marinhas. Um monitoramento a respeito da chegada de lixo internacional realizado a partir de 2001 demonstra que em apenas 70 km de praias do litoral da Bahia foram encontradas embalagens de pelo menos 60 países.



O que podemos fazer para reduzir nossos impactos nos oceanos


Todos temos grande responsabilidade na manutenção dos oceanos, seja como banhistas ou simplesmente como cidadãos, pois a qualidade da vida marinha não é impactada somente pela nossa postura enquanto estamos na praia.


É preciso refletir, assim como Gabriela Cotello, ativista e estudante de Direito da Fundação Getúlio Vargas, se realmente amamos o mar como acreditamos que amamos quando vamos à praia. Afinal, como é mencionado em seu texto, “amar é cuidar”, e estamos falhando nessa última parte.


Existem algumas atitudes simples que podemos tomar para reduzir nossos impactos nos oceanos:


Na praia:

  • Levar uma sacola para armazenar os resíduos gerados durante a sua estadia

  • Realizar o descarte correto de seus resíduos, reciclando-os quando possível

  • Levar uma sacola e uma luva para suas caminhadas e recolher os resíduos que encontrar pelo caminho


Na vida:

  • Faça a separação dos resíduos gerados na sua casa e os encaminhe para o destino correto reciclagem ou aterros

  • Não jogue lixo no chão, nem quando estiver em um bloquinho de carnaval nem quando estiver fumando na rua com seus amigos — há grandes chances desse lixo ir parar nos mares, por mais distante que você esteja deles

  • Repense seu consumo — infelizmente, de todas as 80 milhões de toneladas de lixo que são geradas por ano no Brasil, apenas 4% é de fato reciclado, portanto reduza o consumo de bens acompanhados de embalagens de uso único

  • Reutilize ou doe roupas e acessórios — esses itens possuem uma grande quantidade de químicos que, ao serem descartados, são liberados no meio ambiente. Doando os pertences que não são mais utilizados, você ajuda não só o planeta, mas também quem precisa

  • Divulgue informações sobre o tema


Podemos adotar uma série de pequenas mudanças que podem ter grande impacto na sobrevivência dos oceanos, ecossistema que tanto nos proporciona. Que tal começar agora?


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