• Vania Lech

Futuras pandemias e o desenvolvimento sustentável

Pandemias e novas doenças, como o coronavírus, possuem relação com o desenvolvimento sustentável? Exploramos essa questão focando nos impactos ambientais decorrentes da forma como nossa sociedade opera.



Um estudo publicado recentemente na revista “Science” relata que o investimento na preservação do meio ambiente, como por exemplo na redução do desmatamento e do tráfico de animais, pode prevenir o surgimento de novos surtos virais em humanos. Além disso, indica que o gasto financeiro com essas medidas é menor do que o que está de fato sendo pago, tanto econômica quanto socialmente, durante a pandemia do Covid-19.


Segundo a publicação, o custo para preservar o planeta seria de aproximadamente 22 bilhões de dólares, bem menor do que os 2,6 trilhões de dólares já gastos no combate ao coronavírus. Mesmo assim, as ações ambientais estão fora da agenda de prevenção de outras pandemias.



Qual a relação entre a degradação do meio ambiente e o surgimento de novas doenças?


Essa relação se estabelece na medida em que o desmatamento e a transformação das florestas em pastos e garimpos, por exemplo, aumentam as chances do ser humano entrar em contato com animais portadores desses vírus desconhecidos e, assim, vírus antes transmitidos somente entre animais, se adaptam e passam a infectar também o ser humano. Foi assim com o ebola, o HIV e, agora, o coronavírus. Os morcegos, por exemplo, prováveis reservatórios de algumas dessas doenças, vão atrás de locais povoados quando seu habitat florestal é perturbado.


De acordo com a professora do Departamento de Ciências da Saúde (DSA), Joziana Barçante, a interação entre seres humanos e animais silvestres, seja por meio da alimentação ou pelo contato físico, faz com que esses vírus evoluam e, consequentemente, se transmitam para o ser humano com maior facilidade. Por isso, é essencial que haja equilíbrio entre a saúde humana, animal e ambiental.


Dessa forma, podemos entender que o conceito de desenvolvimento sustentável — de gerir negócios economicamente viáveis, garantir o bem-estar social e preservar o meio ambiente — é uma questão mundial, independente de fronteiras, pois os efeitos nocivos da degradação do meio ambiente são sentidos por todos. E mais, desenvolver-se sustentavelmente não pode ser só uma questão governamental, mas também uma prática da sociedade e das empresas, por meio de atitudes individuais e localizadas. Conforme elucidado no texto “A história e evolução do desenvolvimento sustentável”, isso implica em satisfazer as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade de gerações futuras suprirem suas próprias necessidades.



Como se desenvolver economicamente e, ao mesmo tempo, preservar o meio ambiente?


Segundo a ONU, as políticas públicas de desenvolvimento sustentável incluem ações como:


- Exploração consciente de recursos naturais;

- Preservação de bens naturais aliada à dignidade social;

- Diminuição do ritmo de consumo;

- Programas socioambientais de conscientização da população;

- Reciclagem;

- Investimento em fontes renováveis de energia e

- Reflorestamento


Seguir essas premissas torna-se cada vez mais urgente, na medida em que sem o meio ambiente, ou seja, sem água, oxigênio, solo, o calor do sol, as florestas e os animais, o ser humano não consegue sobreviver.




Referências: Andrew P. Dobson, Stuart L. Pimm, Lee Hannah, Les Kaufman, Jorge A. Ahumada, Amy W. Ando, Aaron Bernstein, Jonah Busch, Peter Daszak, Jens Engelmann, Margaret F. Kinnaird, Binbin V. Li, Ted Loch-Temzelides, Thomas Lovejoy, Katarzyna Nowak, Patrick R. Roehrdanz, Mariana M. Vale. Ecology and economics for pandemic prevention. Science, 2020; 369 (6502): 379-381 DOI: 10.1126/science.abc3189


https://ufla.br/noticias/pesquisa/13788-a-preservacao-do-meio-ambiente-pode-evitar-o-surgimento-de-outras-doencas-como-a-covid-19


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