• Vania Lech

Consumo consciente: importância e desafios

Saiba mais sobre a importância de adequarmos nossos hábitos de consumo e quais são os desafios envolvidos na transição para uma forma de viver mais consciente



No dia 15 de outubro é comemorado, no Brasil, o Dia do Consumo Consciente. A data foi criada pelo Ministério do Meio Ambiente em 2009 com a intenção de despertar na população a consciência para os problemas socioambientais que o consumo excessivo vem causando.


No entanto, essa preocupação não é nova e não nasceu aqui. O movimento do consumo consciente começou no fim do século XIX nos Estados Unidos com um grupo de donas de casa de Nova Iorque preocupadas com os maridos, que trabalhavam em condições subumanas. Elas criaram a “lista branca”, que consistia em cadernos onde constavam as empresas que tratavam seus funcionários com respeito, pois acreditavam que, muito além do preço, essa era uma questão fundamental a ser levada em consideração no momento de decisão de compra.


Com o decorrer do tempo, fomos sendo cada vez mais estimulados a consumir. Segundo estimativas, uma pessoa que vive em um grande centro urbano é bombardeada com mais de 6.000 mensagens publicitárias por dia, seja pela TV, pelo rádio, pelas redes sociais ou por outdoors. O neuromarketing é um exemplo de técnica utilizada para prever e até para manipular o comportamento do consumidor através do estudo das atividades cerebrais. Normalmente é feita a medição de sinais fisiológicos e neurais para obter informações sobre as motivações, preferências e decisões dos clientes e entender as relações entre emoções e produtos. Um exemplo de estratégia de neuromarketing é a utilização da cor vermelha em logomarcas de fast foods, uma vez que estudos indicam que o tom é capaz de estimular o apetite.



Como consumir conscientemente


É importante refletir sobre como, quando, por que e o que consumimos, já que o ato de consumir afeta não somente quem compra, mas também o meio ambiente, a economia e a sociedade como um todo. Por isso, é muito importante estar atento aos impactos gerados para que determinado produto exista, considerando todos os processos, desde a extração da matéria-prima até seu descarte final.


Portanto, para exercer o consumo consciente, é necessário ter um olhar atento às externalidades do consumo, o que também permite ao consumidor cobrar mudanças do poder público e da esfera privada.


Algumas dicas que podem ser aplicadas ao dia-a-dia para consumir conscientemente são:


  • Fazer uma lista de compras tendo em mente o motivo e se realmente há necessidade de realizá-las

  • Reaproveitar e reciclar

  • Valorizar empresas com responsabilidade socioambiental

  • Optar por eletrodomésticos com maior eficiência energética

  • Reduzir o consumo de água e energia

  • Evitar excessos

  • Fazer doações



Importância do consumidor na transformação do consumo


De acordo com um levantamento feito pelo Instituto Akatu em 2013, 60% dos respondentes afirmam que os fatores que mais os aproximam da felicidade é o bom convívio com a família e amigos e apenas 30% mencionam a tranquilidade financeira. De acordo com Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto, “para os brasileiros, ir ao encontro da felicidade hoje não é aumentar o consumo, mas trabalhar pela saúde e prover condições para o verdadeiro bem-viver, com suficiência material e tempo para desfrutar a vida em companhia dos amigos e familiares, num ambiente seguro e acolhedor”. Além disso, a pesquisa indica uma preferência dos indivíduos a um modo de vida sustentável em detrimento dos comportamentos consumistas na maioria das categorias analisadas.


No entanto, em edição posterior divulgada em 2018, o estudo revelou que 76% dos brasileiros não pratica o consumo consciente e que algumas das razões para que isso ocorra envolvem o fato de que ser sustentável “exige muitas mudanças nos hábitos das famílias; nos hábitos dos próprios respondentes; custam mais caro; exigem que se tenha mais informação sobre as questões, sobre os impactos sociais e ambientais que provocam; é mais trabalhoso”. Ademais, 37% dos respondentes declara sentir dificuldade em modificar seus hábitos de consumo por sentirem falta de preocupação ambiental por parte dos governos e empresas.


Por mais que todas as organizações, governamentais ou não, tenham grande peso nas consequências dos modelos produtivos e de consumo, os indivíduos são a ponta final do ciclo de produção e têm sim poder de influência sobre essas práticas. O consumidor consciente é um importante agente transformador da sociedade por meio do seu ato de consumo pois, ao consumir apenas de empresas com responsabilidade socioambiental, é enviado um sinal ao mercado e os mecanismos de oferta e demanda são influenciados.


Mas, logicamente, isso não tira a responsabilidade das organizações. Precisamos que empresas se reinventem e governos se posicionem e instaurem políticas públicas para facilitar a transição para uma economia mais verde. Mudanças de hábito são sim difíceis e desafiadoras, mas estamos vivendo uma crise latente e precisamos dos esforços de todos para sair dela. Esforços que valerão a pena no futuro, e podemos começar pelo caminho da consciência.


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