• Vania Lech

As características e o futuro dos biomas no Brasil

Saiba mais sobre as características de clima, vegetação e fauna de cada um dos principais biomas do Brasil e do mundo e quais as previsões para suas condições futuras.




O que é um bioma?


Um bioma é uma comunidade de animais e vegetais que se adapta e habita determinado ambiente, vivenciando também suas variações. Pode ser considerado também um conjunto de ecossistemas com características parecidas e dispostos em uma mesma região. O tipo de vegetação costuma ser o fator que melhor evidencia os diversos tipos de paisagens naturais que formam cada um deles. De maneira mais simplificada, bioma é a junção de vida (bio) e grupo ou massa (oma).


Ao redor do planeta existem muitos biomas diferentes, cada um com sua peculiaridade e importância, mas com alguns pontos em comum: todos contribuem para o equilíbrio do clima de suas respectivas regiões, são fontes de vida e de riquezas naturais, mantêm o ciclo hidrológico, a fertilidade do solo, a proteção das áreas de riscos, a produção e a limpeza das águas, a manutenção da qualidade do ar, o sequestro do carbono e a proteção da diversidade biológica da fauna e da flora.



Os biomas do Planeta Terra


Os biomas podem ser aquáticos - oceanos e rios - ou terrestres. Os oceanos são considerados os maiores ecossistemas da Terra, uma vez que ocupam cerca de 70% da superfície do planeta. Os rios, por sua vez, apesar de terem uma representatividade bem menor do que os oceanos, também são essenciais para a manutenção da vida.


Já os biomas terrestres são caracterizados pela sua vegetação, solo, clima e vida selvagem e, de acordo com a National Geographic, são divididos, de maneira geral, em cinco principais: Tundra, Florestas, Pradarias e Desertos. Esses nomes variam de região para região, mas se assemelham por suas características que se repetem nos diferentes países.


  • Tundra: é típico do hemisfério norte e é o bioma com as temperaturas mais baixas já medidas, podendo variar de -34ºC a 12ºC. Possui pouca biodiversidade e vegetação simples, sendo composta principalmente por arbustos, gramíneas e musgos. A fauna é representada por renas, roedores, raposas, lebres, insetos e algumas espécies de aves como as corujas nevado.

  • Florestas: cobrem cerca de um terço da Terra e são dominadas por árvores, contendo grande parte da biodiversidade do planeta, incluindo insetos, pássaros e mamíferos. Os três principais biomas florestais são florestas temperadas, florestas tropicais e florestas boreais (também conhecidas como taiga). Esses tipos de floresta ocorrem em diferentes latitudes e, portanto, experimentam diferentes condições climáticas. As florestas tropicais são localizadas próximas à linha do Equador, possuem clima quente e úmido e abrangem a maior biodiversidade de espécies. Alguns exemplos são as onças, antas e macacos. Já as florestas temperadas são encontradas em latitudes mais altas e tem as quatro estações bem definidas, sendo lar de espécies como esquilos, javalis e lobos. As florestas boreais, por sua vez, são encontradas em latitudes ainda mais altas e têm o clima mais frio e seco, onde a precipitação ocorre principalmente na forma de neve. Algumas das espécies que compõem sua fauna são ursos pardos, alces e linces.

  • Campos ou pradarias: são regiões planas e abertas com predominância de gramíneas, herbáceas e pequenos arbustos, não possuindo árvores em seu território. São encontradas mais longe do equador e são habitat de roedores, coiotes, raposas e insetos. O clima pode variar conforme o tipo de pradaria: pradarias tropicais apresentam clima quente e seco e pradarias temperadas se desenvolvem em locais úmidos com variações de temperatura. A fauna do bioma é composta por ratos do campo, raposas, búfalos, insetos como besouros e gafanhotos, algumas espécies de aves, entre outros animais.

  • Savanas: geralmente possuem clima quente, com temperaturas variando de 20ºC a 30ºC, com precipitação moderada e com duas principais estações - uma estação chuvosa de verão de seis a oito meses e uma estação seca de inverno de quatro a seis meses. Sua vegetação é composta principalmente por gramíneas e, como não há muita chuva, apenas algumas árvores isoladas crescem na região. Os animais que habitam essas regiões são elefantes, zebras, girafas, leões e hienas.

  • Desertos: estão em regiões superáridas, áridas e semiáridas, com índices pluviométricos baixos. Localizadas tanto ao sul quanto ao norte da linha do Equador, a paisagem vegetal está ausente na maior parte desse bioma, exceto nas áreas de oásis. A vida selvagem do deserto consiste principalmente de répteis e pequenos mamíferos, possuindo espécies como ratos-canguru, marmotas, cobras, lagartos e escorpiões.


Os biomas do Brasil


Todos os biomas do Brasil sofrem hoje com o risco de extinção, caso sejam mantidos os mesmos níveis de exploração, de expansão das atividades agropecuárias e de urbanização.


De acordo com o IBGE, o Brasil possui seis grandes biomas terrestres: Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pampas e Pantanal. Eles estão distribuídos pelos mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados do território brasileiro que, em função de toda essa extensão, apresenta uma enorme variedade de características naturais, tais como: solo, relevo, clima, vegetação e fauna.


Para ficar mais claro, vale falar isoladamente de cada um deles:

  • Amazônia: a floresta tropical brasileira está localizada principalmente na região norte do país, mas também é encontrada no centro-oeste e ocupa cerca da metade do Brasil. Possui clima equatorial, caracterizado por baixa amplitude térmica e alta umidade e, consequentemente, possui uma rica biodiversidade, com a presença de vegetação florestal densa e com espécies de diferentes tamanhos (algumas podem alcançar até 50 metros de altura). A fauna também é muito diversificada, constituída por insetos, aves, macacos, jabutis, antas, onças, entre outros.

  • Cerrado: considerado a savana brasileira, o cerrado ocupa a região centro-oeste, nordeste e sudeste do país. Possui clima tropical continental, caracterizado pela presença de duas estações bem definidas: úmida, no verão e seca, no inverno. Em decorrência disso, a vegetação típica é de árvores e arbustos de pequeno porte e a fauna é constituída por capivaras, lobos-guarás, tamanduás e antas, também com grande diversidade de espécies.

  • Mata-Atlântica: floresta tropical originalmente localizada em uma extensa área da faixa litorânea brasileira que se estende do Piauí ao Rio Grande do Sul. Este bioma teve grande parte de sua vegetação original devastada para ceder lugar à ocupação do litoral. Era, e o que resta ainda é, constituída por uma vegetação densa muito parecida com a do bioma amazônico, com uma grande variedade de árvores de diferentes tamanhos e características. A fauna dessa região já foi muito afetada pela ação do homem, sendo considerada praticamente extinta. Animais como mico-leões, lontras, onça-pintada, tatu-canastra e arara azul eram comuns no bioma.

  • Caatinga: possui clima tropical semiárido, caracterizando-se como o bioma mais seco do Brasil. Está presente ao longo de todo o sertão e ocupa cerca de 11% do território brasileiro. Por conta das condições do clima, sua vegetação é composta por plantas adaptadas à aridez como as cactáceas e árvores com raízes grandes e profundas, capazes de chegar até o lençol freático em busca de água. É lar de répteis e mamíferos como a cutia, o gambá e o preá.

  • Pampas: é a pradaria brasileira, tendo relevo principalmente formado por planícies com vegetação rasteira composta por gramíneas. É característico do Rio Grande do Sul, ocupando o extremo sul do Brasil com predominância do clima subtropical (frio e seco). Os animais que vivem nos Pampas, entre outros, são o veado, a garça, a lontra e a capivara.

  • Pantanal: fortemente influenciado pelo regime de águas, que apresenta uma grande variação ao longo do ano. Durante os períodos de maior precipitação, seus rios alagam grande parte das regiões planas, fazendo do bioma a maior planície inundável do Brasil. Nas outras épocas do ano com menor nível de chuvas, o volume de água é reduzido e os rios retornam aos seus leitos. Ocupa o Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e possui rica biodiversidade, possuindo tanto plantas adaptadas à umidade quanto plantas típicas do Cerrado. As espécies de animais presentes na região são diversas: jacarés, onças, capivaras, jiboias, tucanos, tamanduás, piranhas, entre outras.


O futuro dos biomas brasileiros


De acordo com o MapBiomas, no período de 1985 a 2019, o Brasil perdeu cerca de 10,25% do território nacional de áreas de vegetação nativa, sendo que metade ocorreu apenas na Amazônia, o equivalente a 44 milhões de hectares perdidos. No Cerrado, a redução foi de 28,5 milhões de hectares, o que o torna o bioma com maior nível de destruição do país proporcionalmente, representando 21,3% de seu território. O Pampa, em segundo lugar, perdeu 20% de sua vegetação (2,3 milhões de hectares). No Pantanal, a perda foi de 12% e, na Caatinga, 11%.


Considerados os biomas mais críticos em termos de perda de biodiversidade, a Mata Atlântica e o Cerrado já se encontram na lista mundial de hotspots, áreas com grande biodiversidade e que estão ameaçadas de extinção. Segundo Marcia Hirota, diretora executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, apenas 12,4% do bioma conta com fragmentos de floresta com área superior a 3 hectares. Com relação ao Cerrado, apesar de ser considerada a savana mais rica do mundo em biodiversidade de acordo com a WWF, somente 8% de sua área está presente em áreas de conservação.


Além deles, a situação dos demais biomas também é crítica. Caso sejam mantidos os níveis de desmatamento atuais, estima-se que a Amazônia brasileira não existirá mais em apenas 40 anos. Por outro lado, a atividade agropecuária ameaça a circulação de água nos rios do Pantanal, afetando o bioma diretamente e, indiretamente os Pampas, que acabam enfrentando um maior nível de desertificação do solo.


Apesar dos efeitos negativos observados, uma avaliação feita a respeito da qualidade das pastagens no Brasil entre 2010 e 2018 indicou resultados importantes. De acordo com Laerte Ferreira, professor da UFG e coordenador da equipe de pastagem do MapBiomas, “a área de pastagem com sinal de degradação caiu de 72% para pouco mais de 60%”. Tal evolução é relevante pois pastos saudáveis e bem manejados são capazes de absorver carbono da atmosfera, enquanto os degradados emitem.


Dado que 2018 e 2019 foram anos de aceleração do ritmo de perda de vegetação nativa no Brasil, faz-se necessário, o quanto antes, colocar em prática as leis de proteção ambiental desses biomas. A perda deles significa, para o ser humano e para todos os outros seres vivos, perder sua principal fonte de alimentos, fonte de muitos medicamentos e a manutenção da vida.


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