• Marina Torres

A história e evolução do desenvolvimento sustentável

Conheça mais sobre o agravamento das questões ambientais e como ele levou ao surgimento do termo desenvolvimento sustentável que conhecemos hoje.



Desastres naturais como furacões, terremotos e incêndios florestais vêm acontecendo com uma frequência cada vez maior em todo o planeta. Somente em 2020, de acordo com a resseguradora alemã Munich Re, esses desastres causaram, ao redor de todo o mundo, aproximadamente US$210 bilhões em danos, representando um aumento de 30% com relação a 2019. Segundo Torsten Jeworrek, membro do conselho da Munich Re, "a mudança climática terá um papel cada vez maior em todos esses perigos".


Ao compreender as consequências climáticas da atuação do ser humano, a população iniciou um movimento de pressão às empresas e organizações para que passem a atuar de maneira mais sustentável, respeitando o meio ambiente e seus recursos naturais. Por conta disso, o desenvolvimento sustentável tem sido bastante evidenciado e termos como sustentabilidade, economia verde e reciclagem têm sido cada vez mais frequentes nos canais de busca.


Porém, nem sempre foi assim. Muito mudou ao longo do tempo e muito aconteceu para que chegássemos ao ponto em que estamos hoje. Apesar de a noção de finitude dos recursos naturais ser discutida já na economia malthusiana, o surgimento de novas tecnologias há poucos séculos nos levava a acreditar que poderíamos explorar o planeta despreocupada e incessantemente.



A industrialização e seus impactos socioambientais


Por volta de 1760, com o início da Primeira Revolução Industrial, a agricultura passou pela transição de mão de obra braçal para mão de obra mecanizada, o que resultou em uma maior demanda por trabalhadores nas indústrias. Consequentemente, a população rural acabou por se deslocar de suas fazendas para os entornos das fábricas, dando início ao processo de urbanização. Entretanto, com o passar do tempo e com o aumento da população nas cidades, os problemas começaram a surgir.

A falta de estrutura unida a um grande volume de pessoas resultou em sistemas de transporte, saúde e educação ineficientes, em altos níveis de criminalidade e na intensa disseminação de doenças. Por outro lado, tendo em vista o objetivo de maximização de lucro e desenvolvimento econômico, foi adotado um sistema de produção linear — extração, produção, distribuição, consumo e descarte — que explorou e contaminou o meio ambiente. Tal modelo é representado pelo conceito “do berço ao túmulo”, no qual produzimos para descartar. Em suma, a noção de que desenvolvimento abrangia somente questões econômicas nos levou a um modo de produção desenfreado, sem que se pensasse nas consequências sociais e ambientais que seriam causadas.

Reações mundiais às questões socioambientais e o surgimento do termo desenvolvimento sustentável


Algum tempo se passou e, em 1968, finalmente se iniciaram as discussões mundiais a respeito de nossa responsabilidade para com o meio ambiente. Nesse ano aconteceram três grandes eventos: a criação do Clube de Roma, a 45ª sessão do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC) e a Conferência da Biosfera, que objetivavam “discutir os dilemas atuais e futuros do homem”, segundo Dias (2015, p. 93), e disseminar conhecimentos a respeito de como conciliar as necessidades da humanidade e do planeta (Barbieri; Silva, 2011). Apesar de não terem gerado resultados efetivos, esses encontros foram essenciais para levar o assunto a níveis internacionais e, então, dar início a uma série de outras conferências em prol do meio ambiente que estariam por vir.


Foi na Comissão Brundtland da ONU, por exemplo, que foi cunhado o termo de desenvolvimento sustentável. A Comissão durou de 1983 a 1987 e tinha como objetivo principal criar um documento que explorasse a relação entre desenvolvimento e meio ambiente, o relatório “Nosso Futuro Comum”. De acordo com Gro Harlem Brundtland, então primeira ministra da Noruega e presidente da Comissão Mundial do Meio Ambiente, e Jim MacNeill, então Secretário-Geral da Comissão Brundtland, desenvolvimento sustentável é “aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem as suas próprias necessidades” (COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO, 1988, p. 46). Nesse ponto da história, entende-se que o modelo de desenvolvimento adotado pelas nações até então, de pautar o progresso econômico na exploração descontrolada dos recursos naturais, não poderia ser sustentado.


Outro episódio histórico para o conceito de desenvolvimento sustentável ocorreu no ano de 1994 com o sociólogo britânico John Elkington. Para ele, a sustentabilidade somente poderia existir através da união de três grandes pilares: o social, o ambiental e o econômico, que constituíam o chamado Tripé da Sustentabilidade (ou Triple Bottom Line). Isto é, precisamos sim gerir negócios lucrativos, economicamente viáveis e atraentes, mas abrangendo também o bem estar social (através de condições dignas de trabalho, educação, saúde e qualidade de vida) e a preservação do meio ambiente (prezando pela fauna, flora, pelos recursos naturais, qualidade da água e conservação do solo).


Além das duas definições apresentadas acima, muitas outras surgiram ao longo dos últimos 40 anos, o que mostra quão enriquecedor e necessário é o debate acerca do tema. E de fato, muito foi discutido até que efetivamente o mundo percebesse que estamos atrasados para a ação. Pensando nisso, em 2015, a ONU organizou e liderou a consolidação da Agenda 2030, que consiste em um conjunto de ações que devem ser tomadas para que o desenvolvimento sustentável seja alcançado ao redor de todo o mundo. Tais ações se traduzem em 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e suas 169 metas, que devem ser cumpridas até o ano de 2030.


Hoje podemos dizer que evoluímos muito se compararmos o nível de conscientização da atualidade com o do ano de 1760. O conceito “do berço ao túmulo”, por exemplo, está abrindo espaço para o “do berço ao berço”, que defende que os resíduos de cada ciclo produtivo tornem-se a matéria-prima para um novo produto; algumas empresas exigem que seus fornecedores não testem em animais e que forneçam condições de trabalho digna a seus colaboradores e alguns indivíduos recusam produtos que têm impactos negativos no meio ambiente.


Felizmente estamos adotando mudanças de comportamento e de gestão para tentar reverter o dano causado ao longo de todos esses anos e, consequentemente, o desenvolvimento sustentável está pouco a pouco mais próximo de ser alcançado. No entanto, é importante reconhecer que ainda há um longo caminho a ser percorrido e que ele deve ser trilhado por todos nós.


Referências:


https://invest.exame.com/esg/desastres-causam-prejuizo-de-us-210-bi-em-2020-dizem-seguradoras


http://www.un-documents.net/our-common-future.pdf


DOS SANTOS, A; SKORA, C. Meio Ambiente e Sustentabilidade. Rio de Janeiro.

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